LIMONADA VIRTUAL

sábado, 22 de março de 2008

Quero ser grande - IdeiasNet

Lideradas pela Automatos e pela Dedalus, sete empresas de tecnologia se unem e abrem um novo capítulo na consolidação do setor

Por Sérgio Teixeira Jr. - Exame

A operadora de telefonia móvel Vivo tem cerca de 19 000 computadores. Para os funcionários da empresa, os PCs são uma ferramenta essencial do trabalho, e não se espera deles menos que um funcionamento perfeito. Para quem administra esse imenso parque tecnológico, porém, eles são um pesadelo. A disseminação dos computadores pelos mais remotos cantos das empresas e o papel central que eles ocupam em muitas áreas dos negócios transformaram o gerenciamento da infra-estrutura tecnológica num item crítico. Instalar e retirar programas de milhares de máquinas, manter sistemas antivírus atualizados e ter um sistema de atendimento rápido e eficiente são apenas três exemplos da complexidade da tarefa. Somente na gestão de seus parques tecnológicos, as companhias brasileiras investiram 4 bilhões de reais no ano passado, segundo a consultoria IDC. É de olho nesse mercado, um dos que crescem mais rapidamente na indústria da tecnologia, que sete empresas brasileiras estão se unindo. Lideradas pela Automatos, empresa de software especializada em gerenciamento de infra-estrutura, e pela Dedalus, prestadora de serviços, a Virtus vai nascer com faturamento projetado de 100 milhões de reais neste ano -- e com a ambição de ser uma alternativa nacional para esse tipo de serviço, prestado por gigantes como CA, HP e IBM.

Além de demonstrar a importância crescente da gestão da tecnologia, o nascimento da Virtus é sinal de um movimento ainda pouco freqüente, mas essencial para o crescimento do setor de tecnologia brasileiro: a consolidação. "Com exceção das produtoras de software de gestão, como Totvs e Datasul, não há exemplos de grandes empresas nacionais de tecnologia", diz André Fonseca, um dos fundadores da Automatos e presidente da Virtus. A explicação para isso, diz Fonseca, é a barreira de entrada natural que as multinacionais de ERP enfrentam no país: a complexidade das leis e as peculiaridades do mercado local. Outro setor que cresceu com relativa independência graças às necessidades locais foi o de prestação de serviços aos bancos. Às outras empresas nacionais de tecnologia restam duas saídas: juntar forças ou ser engolidas pelos grandes nomes internacionais.

As conversas que levaram à criação da Virtus começaram em meados do ano passado. A idéia inicial é simplesmente reunir os produtos das sete empresas em uma única oferta e aproveitar as oportunidades de venda cruzada. Juntas, as fundadoras da Virtus têm cerca de 1 000 clientes no Brasil e no exterior. "Uma das empresas, a Biosalc, tem grande presença no setor do agronegócio, que está se sofisticando tecnologicamente", diz Maurício Fernandes, da Dedalus. "É uma grande oportunidade de atingir esse mercado." A integração entre os produtos e entre a tecnologia das sete companhias fundidas, além de eventuais ganhos com o corte de funções redundantes, deve ficar para uma segunda etapa, prevista para 2009. O outro ponto fundamental da estratégia é passar da venda de software para a de serviços. Hoje, muitas companhias compram um software para monitorar o estado de seus equipamentos. A Virtus pretende cobrar mensalidades e assumir toda a administração do parque tecnológico dos clientes. Além das sete companhias, a Virtus tem entre seus sócios a Intel Capital, fundo de capital de risco da fabricante de chips, e a holding IdeiasNet -- ambas já eram sócias da Automatos e vão manter sua participação na nova empresa. Não houve injeção de novos recursos na companhia, mas uma rodada com investidores institucionais não está descartada, segundo a própria Intel Capital.

O principal desafio da Virtus será criar um mercado para serviços terceirizados de administração de parques tecnológicos. Embora seja uma prática comum nas empresas de grande porte, nas companhias pequenas e médias -- o alvo da Virtus -- a necessidade ainda não é tão presente. "É um mercado praticamente virgem", diz Daniel Domeneghetti, da consultoria Dom Strategy Partners. "O Brasil não mostrou vocação expressiva para adotar o modelo de gestão terceirizada de infra-estrutura tecnológica." O segundo obstáculo a ser vencido é o da integração da gestão e da tecnologia das companhias, algo que só deve ocorrer a partir do ano que vem. Ser empreendedor e tocar um negócio sozinho é uma coisa; dividir as decisões com seis novos sócios é outra, bem diferente. De qualquer modo, a iniciativa é um passo importante na indústria de tecnologia brasileira -- que precisa de mais exemplos como esse para crescer e aparecer.

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